Dúvidas frequentes
Respostas para as dúvidas mais comuns
Respostas diretas, baseadas em literatura médica, para as perguntas mais frequentes sobre urologia e saúde do homem.
11 temas · 34 perguntas
01Sobre o site e o autor
Sou Cirurgião Geral (CRM-PR 45.417, RQE 36.062) e Médico Residente em Urologia em Arapongas-PR, no Norte do Paraná. Este site é um espaço de educação médica, onde escrevo sobre saúde do homem, urologia e prevenção, com base em literatura científica e em conformidade com o Código de Ética Médica.
Não. Todo o conteúdo aqui publicado tem caráter exclusivamente educativo e informativo. Diagnósticos e tratamentos exigem avaliação clínica presencial com um médico habilitado. O objetivo é informar e preparar você para conversas mais qualificadas com seu médico — não substituir a consulta.
Não. O site é exclusivamente educativo. Não realizo consultas, diagnósticos ou prescrições por meios digitais. Para atendimento médico, procure um urologista da sua cidade ou região.
02Câncer de próstata
A Sociedade Brasileira de Urologia recomenda iniciar o rastreamento com PSA e toque retal aos 50 anos para a maioria dos homens. Para homens negros ou com histórico familiar de câncer de próstata em parente de primeiro grau (pai, irmão), o rastreamento começa aos 45 anos. A periodicidade é anual.
Sim. Apesar das evoluções no PSA e em exames de imagem, o toque retal continua fazendo parte do rastreamento, pois detecta tumores que o PSA pode não capturar. As principais sociedades urológicas internacionais (AUA, EAU, SBU) recomendam a combinação de PSA + toque retal.
Não. O PSA pode estar elevado por várias razões além do câncer: hiperplasia prostática benigna (próstata aumentada), prostatite (inflamação), infecção urinária, atividade sexual recente ou andar de bicicleta nas 48h antes do exame. Valores alterados precisam ser interpretados em contexto, frequentemente com exames complementares como ressonância multiparamétrica.
Sim. Detectado em estágio localizado, as taxas de sobrevida em 10 anos superam 95%. As opções incluem vigilância ativa, cirurgia (prostatectomia radical), radioterapia e braquiterapia — com taxas de cura similares entre si para doença de risco intermediário. A escolha depende do perfil individual do paciente.
03Hiperplasia prostática benigna (HPB)
Não. HPB é o crescimento benigno (não maligno) da próstata, extremamente comum — afeta 50% dos homens acima de 60 anos. Câncer de próstata é uma proliferação maligna. São condições completamente distintas. Ter HPB não aumenta o risco de desenvolver câncer de próstata.
Os sintomas da HPB dividem-se em obstrutivos (jato fraco, esforço para urinar, gotejamento ao final) e irritativos (urgência, frequência aumentada, acordar à noite para urinar). A gravidade é avaliada pelo Escore IPSS. Sintomas graves que não respondem a medicamentos podem indicar cirurgia (RTUP ou técnicas a laser).
Os principais grupos são: alfa-bloqueadores (tansulosina, silodosina) que relaxam o colo da bexiga em dias; inibidores da 5-alfa redutase (finasterida, dutasterida) que reduzem o volume prostático em meses; e tadalafila (5mg/dia) quando há disfunção erétil associada. A combinação é indicada em casos graves.
04Vasectomia
Não. A vasectomia interrompe apenas a passagem dos espermatozoides pelos canais deferentes, sem interferir na produção de testosterona, ereção, ejaculação ou orgasmo. O volume do sêmen permanece praticamente igual, pois os espermatozoides representam menos de 5% do ejaculado.
Sim, mas a reversão é uma cirurgia mais complexa, com taxa de sucesso variável (40-90% para retorno de espermatozoides ao sêmen, e taxas menores de gravidez efetiva). Por isso a vasectomia deve ser considerada um método definitivo e a decisão deve ser tomada com segurança.
A Lei 14.443/2022 atualizou as regras: homens maiores de 21 anos OU com pelo menos 2 filhos vivos podem fazer vasectomia pelo SUS, desde que assinem termo de consentimento e respeitem o prazo mínimo de 60 dias entre a manifestação da vontade e o procedimento.
05Cálculo renal (pedra nos rins)
Os sintomas mais comuns são: dor súbita e intensa nas costas ou no flanco, irradiando para a virilha; sangue na urina; náuseas e vômitos; vontade frequente de urinar com queimação. Em casos de febre associada, é necessário atendimento de emergência. O diagnóstico é confirmado por exames de imagem (ultrassom ou tomografia).
Sim. A hidratação é a estratégia preventiva mais eficaz. A meta é manter volume urinário acima de 2 litros por dia, o que geralmente exige ingestão de 2,5 a 3 litros de água. Em climas quentes como Arapongas, no Norte do Paraná, a necessidade aumenta proporcionalmente à transpiração.
Não. Esse é um mito antigo. Estudos mostram que dietas pobres em cálcio aumentam o risco de cálculo, porque o cálcio dietético se liga ao oxalato no intestino e impede sua absorção. A orientação atual é manter cálcio normal de alimentos (1.000-1.200 mg/dia) — apenas evitar suplementos isolados sem indicação médica.
06Disfunção erétil
Frequentemente sim. A ereção depende de circulação sanguínea adequada. Disfunção erétil de causa vascular pode preceder um infarto ou AVC em 2 a 5 anos — as artérias do pênis são menores e manifestam aterosclerose antes das coronárias. Todo homem com disfunção erétil deve ter avaliação cardiovascular completa.
Sim, quando prescritos por médico após avaliação. Os inibidores de PDE5 (sildenafila, tadalafila, vardenafila) são contraindicados com nitratos (usados para angina) — esta combinação causa hipotensão grave. Homens sem doença cardiovascular ativa e sem uso de nitratos podem usar com segurança sob prescrição médica.
Não é normal, mas é crescentemente frequente — afeta cerca de 25% dos homens abaixo de 40 anos em estudos recentes. Em jovens, a causa psicológica (ansiedade de desempenho, pornografia, estresse) é mais frequente. Porém causas orgânicas como diabetes, hipertensão, varicocele ou testosterona baixa também ocorrem e devem ser investigadas.
07Testosterona e andropausa
O termo 'andropausa' é impreciso. O correto é 'declínio androgênico do envelhecimento masculino' (DAEM), uma queda gradual e progressiva da testosterona com a idade — diferente da menopausa feminina, que é abrupta e universal. Apenas alguns homens desenvolvem hipogonadismo com sintomas relevantes que justifiquem reposição. A indicação exige avaliação clínica e laboratorial.
Os sintomas mais comuns do hipogonadismo masculino são: redução do desejo sexual, disfunção erétil, fadiga persistente, perda de massa muscular com aumento de gordura abdominal, humor deprimido ou irritabilidade e dificuldade de concentração. Nenhum sintoma é específico — o diagnóstico exige testosterona total coletada pela manhã, confirmada em dois exames distintos.
A testosterona não causa câncer de próstata — a hipótese de saturação atual mostra que, acima de um nível limiar, mais testosterona não estimula crescimento tumoral. Porém pode estimular a progressão de um câncer já existente. Por isso, o rastreamento com PSA e toque retal é obrigatório antes e periodicamente durante toda a reposição.
08Hematúria (sangue na urina)
Não, mas toda hematúria visível exige investigação urológica — mesmo em episódio único e mesmo que resolva espontaneamente. As causas mais comuns são infecção urinária, cálculo renal e HPB avançada. Em homens acima de 50 anos, especialmente tabagistas, o tumor de bexiga e o tumor renal são as causas mais importantes a descartar.
Procure emergência se: houver coágulos que dificultem a micção (obstrução vesical), febre associada acima de 38,5°C (possível infecção grave), dor lombar intensa, trauma abdominal ou pélvico recente, ou se você fizer uso de anticoagulantes. Hematúria macroscópica intensa com calafrios pode indicar urosepse.
Sim, obrigatoriamente. A anticoagulação não causa hematúria — ela amplifica o sangramento de lesões já existentes. Estudos mostram que hematúria em pacientes anticoagulados frequentemente revela lesão urológica subjacente relevante. O uso de anticoagulante não deve ser justificativa para dispensar a investigação completa.
09Infecção urinária (ITU) masculina
Homens têm uretra muito mais longa (15-20 cm vs 3-4 cm na mulher), tornando ITU muito menos frequente. Quando ocorre, geralmente indica alguma alteração subjacente — HPB, cálculo, estreitamento uretral ou cateter. Por isso, toda ITU masculina é considerada 'complicada' e requer investigação urológica para identificar a causa.
Não necessariamente. Ardor ao urinar (disúria) pode ter várias causas além da infecção urinária: uretrite por IST (gonorreia, clamídia), prostatite, cálculo renal passando pelo ureter, irritação local ou trauma uretral. A urocultura com antibiograma é o exame que confirma a presença de bactéria e orienta o tratamento correto.
ITU recorrente em homens (dois ou mais episódios em 6 meses) sempre exige investigação aprofundada. As causas mais comuns são: HPB com resíduo urinário alto, cálculo renal ou vesical, prostatite bacteriana crônica, estreitamento uretral e, raramente, tumor. Ultrassom de vias urinárias e urocultura serial são o ponto de partida.
10Infertilidade masculina
O fator masculino exclusivo está presente em 20-30% dos casos de infertilidade conjugal, e como fator combinado em 40-50% dos casais (OMS). A investigação do homem é tão importante quanto a da mulher e deve ocorrer em paralelo desde o início — não após anos de investigação exclusivamente feminina.
É o exame principal, mas não o único. Um espermograma normal não exclui todos os fatores masculinos (como varicocele subclínica ou alterações genéticas). Um espermograma alterado deve ser repetido após 3 meses e complementado com dosagem hormonal (FSH, LH, testosterona, prolactina), exame físico e, em casos específicos, análise genética.
Severamente. Os esteroides anabolizantes suprimem completamente o eixo hipofisário, interrompendo a produção de espermatozoides. Após suspensão, a recuperação leva de meses a anos — e em alguns casos pode ser permanente. Homens em uso de anabolizantes que desejam fertilidade futura devem suspendê-los imediatamente e buscar avaliação urológica especializada.
11Saúde sexual masculina
Sim. Existem várias abordagens eficazes: técnicas comportamentais (parar-pressionar, parar-iniciar), terapia psicológica/sexológica, medicações específicas (IRSS de uso sob demanda ou contínuo, como dapoxetina) e anestésicos tópicos. O tratamento depende do tipo de ejaculação precoce (primária ou adquirida) e do contexto do paciente.
A varicocele é a causa mais prevalente e tratável de infertilidade masculina — presente em 35-40% dos homens com infertilidade primária e em até 80% dos com infertilidade secundária (AUA/ASRM). Ela eleva a temperatura escrotal, prejudicando a espermatogênese. A varicocelectomia microcirúrgica melhora os parâmetros do espermograma em 60-80% dos casos.
Em casos leves sem cicatrização, o tratamento com corticoide tópico (betametasona 0,05%) aplicado duas vezes ao dia por 4-8 semanas tem sucesso em 60-80% dos casos. A cirurgia (circuncisão ou plastia do prepúcio) é indicada quando o corticoide falha, há infecções recorrentes ou fimose cicatricial por liquen escleroso.